Na Argentina, o diário La Nación diz a respeito do Brasil:
É a décima maior economia do mundo;
Maneja 40% do mercado de carnes do mundial;
É a oitava bolsa de valores por volume, tendo crescido 1.600% nos últimos cinco anos;
As exportações – 137 bilhões de dólares – dobraram em quatro anos.
E, por fim, a comparação que deixa os argentinos danados:
Nos anos 1940, o PIB de toda América Latina era igual ao argentino; hoje, o Brasil tem o tamanho de quatro Argentinas.
(Há de ser bom mesmo viver num país destes.)
Mas, no fim, como sugere à repórter Florência Carbone um de seus entrevistados, em meados dos anos 1990, só se falava do modelo chileno; pouco depois, vitorioso era o modelo argentino. Agora é a vez do Brasil. O quanto isto vale de fato? E, se vale, perguntam-se os jornalistas nossos vizinhos: qual o segredo do Brasil? A série inclui três artigos e uma reportagem.
Algumas coisas – a auto-suficiência em petróleo, por exemplo – é trabalho sólido. A Petrobras vem investindo há muitos anos, já, em tecnologia de extração. Some-se a alta dos preços do barril, que faz compensar a retirada de petróleo a grandes profundidades, e o investimento compensa.
O La Nación destaca também que aos oito anos do governo FHC seguem-se mais oito de Lula que, embora vindos de grupos de oposição um ao outro, dão seqüência ao mesmo jogo de políticas públicas. Há continuidade de governança. A política externa do atual governo também recebe elogios do principal jornal conservador argentino.
Daí, seguem-se fatores que os argentinos não podem controlar: o Brasil tem quatro vezes mais terra e uma população cinco vezes maior. Tem recursos minerais, do ferro ao carvão. Ajuda um bocado no processo de industrialização. Mas o momento chave em que, o jornal considera, Brasil e Argentina se separaram de vez faz muito tempo: a década de 1940. À época, quando o país deles era um riquíssimo agroexportador, os interesses do setor não permitiram o desenvolvimento de um parque industrial. Foi exatamente o que o Brasil fez. Desde então, a Argentina empobreceu e o Brasil enriqueceu.
Mas isto só conta metade da história na versão do La Nación: a projeção recente do Brasil no cenário global começa com o Plano Real, no governo Itamar Franco. É preciso levar-se em conta a solidez das instituições públicas e privadas, políticas e econômicas, ‘que geram contrapesos no exercício do poder social, limitando as tentações por caprichos individuais’. Não são perfeitas, mas permitem ‘canalizar e articular interesses divergentes’. Quer dizer: o país funciona independentemente de quem esteja no governo.
A conclusão dos argentinos – talvez aí surpreendente – é que o crescimento brasileiro é bom para eles se tomado o exemplo da relação Canadá, Estados Unidos. Se, no Brasil, conflitos políticos não mataram o projeto de desenvolvimento, caso argentino, o sucesso econômico daqui gerou investimentos lá. O melhor modelo, então, ainda mais agora que estabilidade política parece estar voltando também à Casa Rosada, é uma relação de interdependência.
Naturalmente. É só combinar com o adversário antes.
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